quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Novos Conceitos De Urbano E Rural

Novos Conceitos De Urbano E Rural



Novos conceitos de urbano e rural: a uma nova idéia de ruralidade
Moacir da Cruz Rocha * (UNAMA)
INTRODUÇÃO
As concepções do desenvolvimento rural foram sendo modificadas na medida em que se passou a perceber com maior clareza a complexidade e diversidade da realidade e se evidenciam as restrições e possibilidades do alcance de suas explicações. As sociedades rurais apresentaram mudanças estruturais, devidas em boa                                                                               parte ao modelo de desenvolvimento global.
Estas mudanças fazem com que tenhamos que rever e analisar o rural de forma diferente e, nesta medida, questionar as concepções tradicionais tanto do urbano quanto do rural.
O desenvolvimento rural é entendido hoje, em um sentido amplo, como
um processo de melhora do nível do bem-estar da população rural e da contribuição que o meio rural faz de forma mais geral ao bem-estar da população em seu conjunto, seja urbana ou rural, com sua base de recursos naturais.[1]
Por sua vez, o meio rural é um conjunto de regiões ou zonas (território) cuja população desenvolve diversas atividades ou se desempenha em distintos sectores, como a agricultura, o artesanato, as indústrias pequenas e médias, o comércio, os serviços, o gado, a pesca, a mineração, a extração de recursos naturais e o turismo, entre outros.
Em tais regiões ou zonas há assentamento que se relacionam entre si e com o exterior, e nos quais interagem uma série de instituições, públicas e privadas.
O rural transcende o agropecuário, e mantém elos fortes de intercâmbio  com o urbano, na provisão não só de alimentos mas também de grande bens e serviços, entre os quais vale a pena destacar a oferta e cuidado de recursos naturais, os espaços para o descanso, e os contribuições à manutenção e desenvolvimento da cultura.
A CONTRAPOSIÇÃO URBANO/RURAL: UMA NOVA IDÉIA DE RURALIDADE
A idéia de progresso surgida no século XVIII da economia clássica, associava a passagem do mundo rural ao urbano com o caminho da civilização moderna e o reconhecimento de que a humanidade avança do passado ao futuro melhorando. Em outras palavras, passando do atrasado ao moderno, do rural ao urbano, do agrícola ao industrial.
Esta idéia de progresso baseada no século XIX tem como base revolução industrial. Busca dar ênfase nos setores mais produtivos, ou seja, os industriais, apoiando o crescimento destes setores e deixando descansar ali a absorção do emprego e, portanto, a transformação estrutural.
Isto conduziria a uma diminuição do peso e do emprego agrícola no PIB e no emprego total, como resultado das diferenças da produtividade entre a agricultura e a indústria.
Sob esta concepção de progresso econômico, ocorreria a transformação estrutural do rural para o urbano, do agrícola ao industrial, e por fim do atrasado ao moderno. Segundo esta colocação, o rural se ajusta passivamente e em função de fatores exógenos.
No plano produtivo o comportamento agrícola é residual, e depende das demandas industriais e urbanas. O endógeno no sistema é a urbanização e a industrialização; e o resultado, a modernização tanto em temos técnicos como no sistema de idéias e valores.
Se for concebido o rural como o local, autárquico, fechado, com pautas sócio-econômicas e valores próprios, uma estrutura social a partir da propriedade da terra entendida como a territorialização do agrícola, teria como resultado o fato de que o progresso é a absorção do rural, os ajustes são exógenos e passivos, o agrícola tem um comportamento residual.
Porém, esta velha visão do rural já não pode ser mais sustentada[2]. Não se trata de apagar a suposta linha divisória entre o rural e o urbano, nem de sua equivalência ao atrasado e o moderno.
É necessário visualizar um esquema de desenvolvimento e de mudança da sociedade em um sentido diferente. É mais pertinente tratar de ver a estreita interdependência do mundo rural com o resto da economia e com o meio urbano em particular.
As relações econômicas se estabelecem através de fluxos comerciais de bens agrários e manufaturados, fluxos financeiros e de recursos naturais e humanos. Nas áreas urbanas se decide, através das forças do mercado, a destinação dos recursos do meio rural, tanto os naturais para o ócio e turismo entre outros usos, como os humanos, gerando movimentos migratórios para onde se concentram os empregos.
É por isso que as zonas rurais, ainda as mais recônditas, têm uma forte interdependência com os centros urbanos mais próximos, com as grandes cidades e, hoje, na era da globalização, com negócios urbanos remotos.
Esta situação levou a alguns autores a expor como absurda a existência de uma política setorial para a economia rural uma vez que está integrada nas políticas econômicas gerais.
Esta visão prepondera de maneira especial nos membros da União Européia, onde o impacto da política agrícola tem efeitos diversos, por fatores como a redução de barreiras tarifárias e a intensificação da interdependência internacional[3].
Vários autores europeus expõem a necessidade de um novo enfoque para resolver os problemas que afligem ao meio rural, em especial sua inter-relação com o urbano, destacando seu papel na contribuição ao bem-estar para o conjunto da sociedade e modificando a visão de uma importância secundária no alicerce geral da economia.
Nos países em via de desenvolvimento, como é o caso do Brasil, vem sendo impulsionada também uma revalorização do rural, tratando de superar a dicotomia entre setor agropecuário e rural, e o papel marginal que se atribui ao setor rural no desenvolvimento.
É necessário romper o estreito paradigma econômico no qual foi situado o papel do setor rural, e passá-lo ao contexto da política e as instituições.
Reconhece-se também em vários países que o manejo da velha concepção de o rural como o atrasado e a ênfase colocada nos processos de industrialização, geraram nestes países crises de magnitudes imprevisíveis, com o aumento da pobreza, o desemprego, a geração ou agudização de conflitos por terra, e processos de lutas internas com características de guerra[4].
O ordenamento do território, a integração nacional, o restabelecimento de condições de convivência no campo, o fortalecimento da democracia participativa, o capital social e político, devem ser o fundamento de uma estratégia humana de desenvolvimento que tome como eixo o setor rural.
Só assim o desenvolvimento rural poderá melhorar o nível de bem-estar da população rural e contribuir ao bem estar da população em geral, seja esta urbana ou rural.
            O meio rural experimentou mudanças muito importantes nos últimos quarenta anos, nos distintos continentes e com efeitos muito diversos por região e por país. Mas pode-se falar em termos gerais de três grandes mudanças[5]:
a) Demográficas: como resultado do êxodo maciço nos anos sessenta e é setenta, tanto na Europa como na América, e o fenômeno da "contra-urba-nização" em alguns países europeus nos anos setenta.
b) Econômicos: que se originam pela queda da agricultura e, em alguns países, pela nova visão que o mundo urbano tem do meio rural, dando lugar a uma maior diversificação.
c) Institucionais: devido à descentralização política que pretende dar poder ao local e o regional, obviamente com desenvolvimentos desiguais nos diferentes países.
Como principais causa destas mudanças pode-se destacar, entre outras, a queda da agricultura e a intensa urbanização. Em relação ao primeiro fator, é indubitável que em vastas regiões do mundo, o rural apresentou uma diminuição drástica tanto na população empregada como na participação no PIB nacional.
Tudo isso devido ao modelo de industrialização que conduziu à aceleração dos processos de urbanização e o desenvolvimento tecnológico, poupador de mão de obra mediante capital mecânico e poupador de terra mediante o uso de capital químico e biológico.
As aglomerações econômicas que caracterizam ao modelo de industrialização dos países comunitários europeus nas primeiras décadas do desenvolvimento geraram uma intensa urbanização e um despovoamento maciço de grandes áreas rurais.
Este modelo foi seguido em países latino-americanos. Como exemplo temos Peru, México, Colômbia e Brasil, onde as capitais concentram boa parte da população.
Atualmente, estão sendo desenvolvidas estratégias que modifiquem este processo. Porém, na Europa o setor rural segue perdendo população devido a fatores como esgotamento dos solos, mudanças nas políticas agrícolas, concentração urbana de atividades econômicas, possibilidades de coletividade e acesso a serviços, etc.[6].
As regiões periféricas e montanhosas seguem conservando parte da população rural, mas são as que têm menor potencialidade econômica pelo grau de afastamento e a disseminação da população.
O mundo rural se encontra diante de uma difícil conjunção de problemas que se manifestam na perplexidade com que confrontam o futuro os agentes sociais que participação de sua gestão.
NOVA CONCEPÇÃO DO RURAL
Como foi dito, a nova visão do rural não vai do atrasado ao moderno, do rural ao urbano, do agrícola ao industrial.
Há uma grande quantidade de características que mostram a multi-direcionalidade do processo, sobre as quais há múltiplos evidências, em diferentes países, com distintos graus de desenvolvimento[7].
Vale a pena destacar a perda relativa da significação econômica e social dos setores primário e secundário, e a evidente terciarização do rural. Esta evidência é mais clara na Europa pela complexidade das atividades agrícolas e as tendências à concentração e a especialização. Na América Latina, essa tendência aumenta, e, sobretudo é uma meta posta pelo novo modelo de desenvolvimento.
É claro então que o rural já não é equivalente ao agrícola, e ao mesmo tempo que a chamada terceira revolução agrícola implica que o agrícola não seja exclusivamente a produção primária.
Tudo isto conduz a uma modificação da atividade produtiva, em especial do ponto de vista das exigências da população empregada.
A agricultura compreenderá uma ampla série de usos da terra, que vai desde produções agrícolas de uso não alimentar até a manutenção do meio ambiente.
Por outro lado se acentua a especialização territorial em função da existência de vantagens competitivas, e se acrescenta a dependência da atividade agrícola das empresas industriais e de distribuição.
Outro fator importante é que as comunidades rurais, como se entendiam antes, estão sendo escavadas e debilitadas em suas solidariedades coletivas. Tudo isso devido a fatores de desintegração territorial e de desintegração social.
Fenômenos como os deslocamentos forçados por problemas de violência ou fenômenos naturais, em vários países latino-americanos, são uma amostra deste fenômeno.
Embora em muitas regiões persistam os conflitos pela falta de eqüidade na distribuição e acesso à terra, também é claro que o novo modelo vai impondo formas diferentes de acesso, conferindo um maior papel ao capital no crescimento agrícola e à incorporação da propriedade financeira ou industrial nas áreas rurais e nas atividades agropecuárias.
Certamente se apresentará, como de fato já está ocorrendo, uma mudança importante nas demandas coletivas do rural, que vão além da tensão pela propriedade. A população reclama agora serviços básicos e mecanismos de participação, por exemplo.
Outro elemento importante é a acentuação dos desequilíbrios territoriais, e uma maior importância política destes desequilíbrios. Isto ocorre de diferentes maneiras no interior de cada país.
Este conjunto de fatos implica a necessidade de recompor ou elaborar uma visão que permita por fim esclarecer que o rural não é exclusivamente o agrícola, nem o atrasado, nem a só expressão da produção primária.
Acolheríamos então a seguinte definição: o meio rural é entendido como
o conjunto de regiões ou zonas com atividades diversas (agricultura, indústrias pequenas e médias, comércio, serviços) e nas quais se assentam povos, aldeias, pequenas cidades e centros regionais, espaços naturais e cultivados.
Além das atividades citadas, estão também o gado, a pesca, a mineração, a extração de recursos naturais e o turismo.
O meio rural é então uma entidade socioeconômica em um espaço geográfico com quatro componentes básicos:
• Um território que funciona como fonte de recursos naturais e matérias primas, receptor de resíduos e suporte de atividades econômicas.
• Uma população que, com base em um certo modelo cultural, pratica atividades muito diversas de produção, consumo e relação social, formando um ripado socioeconômico complexo.
• Um conjunto de assentamentos que se relacionam entre si e com o exterior mediante o intercâmbio de pessoas, mercadorias e informação, através de canais de relação.
• Um conjunto de instituições públicas e privadas que articulam o funcionamento do sistema, operando dentro de um marco jurídico determinado[8].

CONCLUSÕES
As novas demandas sociais põem nas mãos dos habitantes das zonas rurais a possibilidade de conduzir seu futuro por um caminho inédito, mas possível.
Enquanto estas funções constituem a oportunidade para superar a crise e encontrar uma nova posição na distribuição de papéis na sociedade, a provocação se esforça em superar a rejeição de uma grande parte da população rural a abandonar ou modificar suas atividades históricas.
Paralelamente, a população urbana deve entender que tem que modificar suas pautas de consumo aceitando pagar adequadamente certos serviços que lhe fornece o mundo rural.
Para compreender o novo modelo de relações entre o mundo rural e o mundo urbano, é necessário redefinir os papéis de cada um destes âmbitos chegando a formular um novo "contrato social" entre eles.
Mediante este contrato, a sociedade moderna deve reconhecer e assumir a necessária interdependência das áreas rurais e urbanas; definir explicitamente o decisivo papel do mundo rural e dota-lo de instrumentos adequados de desenvolvimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BALSADI, O. V. Mudanças no meio rural e desafios para o desenvolvimento sustentável. Revista São Paulo em Perspectiva, v. 15, n.1, p.155-165, 2001.
CAIADO, Aurílio Sérgio Costa; SANTOS, Sarah Maria Monteiro dos. Fim da dicotomia rural-urbano? Um olhar sobre os processos socioespaciais. São Paulo Perspec. ,  São Paulo,  v. 17,  n. 3-4, 2003 .  Disponível em:
COSTABEBER, J. A.; CAPORAL, F. R. Possibilidades e alternativas do desenvolvimento sustentável. In: Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável no Mercosul. Org. Hugo Vela, Santa Maria: UFSM, p.157-194, 2003.
GRAZIANO DA SILVA, J.F. O novo rural brasileiro. Campinas: Unicamp - Instituto de Economia, 1999. (Coleção Pesquisa, 1)


* Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural da Amazônia, administrador formado pela Universidade da Amazônia, Especialista em Gestão da Informação no Agronegócio (UFJF), Mestrando em Economia (UNAMA). E-mail: moacir.rocha@conab.gov.br
¹ FRACAIADO, Aurílio Sérgio Costa; SANTOS, Sarah Maria Monteiro dos. Fim da dicotomia rural-urbano? Um olhar sobre os processos socioespaciais. São Paulo Perspec. ,  São Paulo,  v. 17,  n. 3-4, 2003 Disponível em:
[2] GRAZIANO DA SILVA, J.F. O novo rural brasileiro. Campinas: Unicamp - Instituto de Economia, 1999. (Coleção Pesquisa, 1)
[3] BALSADI, O. V. Mudanças no meio rural e desafios para o desenvolvimento sustentável. Revista São
Paulo em Perspectiva, v. 15, n.1, p.155-165, 2001.
[4] COSTABEBER, J. A.; CAPORAL, F. R. Possibilidades e alternativas do desenvolvimento
sustentável. In: Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável no Mercosul. Org. Hugo
Vela, Santa Maria: UFSM, p.157-194, 2003.
[5] GRAZIANO DA SILVA, J.F. O novo rural brasileiro. Campinas: Unicamp - Instituto de Economia, 1999. (Coleção Pesquisa, 1)
[6] COSTABEBER, J. A.; CAPORAL, F. R. Possibilidades e alternativas do desenvolvimento
sustentável. In: Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável no Mercosul. Org. Hugo
Vela, Santa Maria: UFSM, p.157-194, 2003.
[7] GRAZIANO DA SILVA, J.F. O novo rural brasileiro. Campinas: Unicamp - Instituto de Economia, 1999. (Coleção Pesquisa, 1)
[8] CAIADO, Aurílio Sérgio Costa; SANTOS, Sarah Maria Monteiro dos. Fim da dicotomia rural-urbano? Um olhar sobre os processos socioespaciais. São Paulo Perspec. ,  São Paulo,  v. 17,  n. 3-4, 2003 .  Disponível em:

AS CONSEQUÊNCIAS DO AQUECIMENTO GLOBAL NA AGRICULTURA



AS CONSEQUÊNCIAS DO AQUECIMENTO GLOBAL NA AGRICULTURA  

Moacir da Cruz Rocha[1]



RESUMO
O mundo vive uma ebulição ambiental. Pauta-se pelo Capital e a desigualdade. No ano de 2019 assistiu-se a mais degradações ambientais com incêndios de dimensão assustadora e desmatamento na Floresta Amazônica. O aquecimento global sem duvida é o desafio supremo que tanto o Brasil quanto o mundo enfrentam e que incidirá na agricultura, quer seja de forma positiva quanto negativa. A preocupação maior é com as altas temperaturas bem como as condições meteorológicas incertas. No entanto, o ser humano, dotado de inteligência por certo desenvolvera novos caminhos que incidirão sobre a agricultura e a temperatura ambiental. Por meio da ética e da ciência outra agricultura e m novo modelo de sociedade são possíveis.


ABSTRACT
The world is experiencing an environmental boiling. It is guided by capital and inequality. In 2019, more environmental degradations were seen with fires of frightening size and deforestation in the Amazon Forest. Global warming is undoubtedly the supreme challenge that both Brazil and the world face and will focus on agriculture, whether in a positive and negative way. The biggest concern is with high temperatures as well as uncertain weather conditions. However, the human being, with intelligence, had certainly developed new paths that will focus on agriculture and environmental temperature. Through ethics and science other agriculture and the new model of society are possible.












INTRODUÇAO

Presentemente assiste-se a uma preocupação mundial acerca das consequências oriundas do aquecimento global. Há uma ausência de consciencia mundial com relação a ação praticada por cada um contra o habitat que o acolhe e no Brasil, especificamente, degrada-se o meio ambiente, se desmata, ampliam-se as areas desertas. Atos que geram consequências que afetam o ser humano no momento presente e que certamente trarão implicações no futuro. A temperatura global aumenta e isso já é perceptível no cotidiano atual, com temperaturas desconexas ao longo dos dias do ano.
 Identifica-se igualmente um desequilíbrio no ecossistema que acomete a fauna local e que incide na extinção de múltiplas espécies de animais. E não obstante ondas de calor assimétricas com potencial para afetar a produção agrícola.  O caminho para a resolução do aquecimento global é a conscientização para a devida compreensão de que não somos a ultima geração do planeta e portanto, missão de cada um promover a não destruição planetária.

DESENVOLVIMENTO

Desde o século XIX, a temperatura planetária já elevou 1 grau como alude o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU. As temperaturas mais altas impactam diretamente na Economia e na Agricultura. Assim sendo, já existem pesquisadores a desenvolver formas e meios da agricultura sobreviver em ambientações mais quentes. 
O relatório Climate Change and Land, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU e cuja publicação ocorreu em agosto de 2019, como reporta Alves (2019, p.4) trata justamente “da conexão entre o uso da terra e seus efeitos sobre a mudança climática” e conforme alude este documento, há “um efeito perverso de retroalimentação, pois a produção de alimentos aumenta o aquecimento global, enquanto as mudanças climáticas decorrentes ameaçam a produção de alimentos”.
Três componentes – CO2, água e temperatura, três elementos primordiais para o ciclo de qualquer planta e uma alta temperatura que afeta a agricultura. As altas temperaturas acarretam em uma produçao agrícola com sérios problemas, como a queima do produto ainda no pé, tamanhos desproporcionais, entre outros.
No entendimento de Assad (s/d, p.15) “todos os cenários de aquecimento global indicam que no Brasil haverá aumento de eventos climáticos extremos, com consequências negativas para a agricultura” e adenda que “nesse caso se destacam a maior amplitude entre as temperaturas máximas e mínimas e os períodos de déficit (secas ou veranicos) e excesso hídrico”.
Assad (s/d, p.15) destaca ainda “que o aquecimento global provocará uma mudança na geografia da agricultura brasileira” havendo possivel “redução na área cultivada com café em São Paulo e aumento da área cultivada com cana-de-açúcar no sul.” Porém, há o alento de se viver na era tecnológica e, portanto existem meios de coibir que as altas temperaturas afetem à agricultura.
Doravante, Vieira (2013, p.15) refere que “a técnica do condicionamento osmótico (seed priming) pode também ser empregada com bastante sucesso nas condições de estresses, como temperatura inadequada” Para o autor, avalia-se a existência de um desempenho melhor “das sementes osmoticamente condicionadas em temperaturas sub- ou super-ótimas em diferentes espécies olerícolas”.
O homem necessita cada vez mais se adequar as novas realidades e gerar novos meios de assegurar a sustentabilidade ambiental e ainda que as temperaturas sejam altas, criar meios de assegurar plantios e colheitas de alimentos saudáveis para garantir o sustento da população. As adequações de temperatura podem conduzir a uma germinação de sementes
O ser humano carece de cuidar e proteger a casa que os abriga. O capital não pode mais prevalecer nem ao menos a liberação indiscriminada de emissões de gases promotores do efeito estufa. Faz-se contumaz refletir sobre que Planeta será deixado para as gerações futuras.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

ALVES, J. E. D. Relatório do IPCC e o efeito perverso entre produção de alimentos e mudanças climáticas. 2019. Disponível em https://www.ecodebate.com.br/2019/08/12/relatorio-do-ipcc-e-o-efeito-perverso-entre-producao-de-alimentos-e-mudancas-climaticas/. Acesso em 12 de janeiro de 2020.
ASSAD, E. D. Aquecimento Global e Cenários Para a Agricultura Brasileira. s/d. Disponivel em https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/42450/1/aquecimento.pdf. Acesso em 11 de janeiro de 2020.
VIEIRA, J. D. et al. Tempo Influência das mudanças climáticas na produção de hortaliças. Uma publicação bimestral da Embrapa Hortaliças Ano II - Número 7 Março/Abril de 2013. Disponivel em https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:QJ0w5tjO-zQJ:https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1091249/1/revistaed7.pdf+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em 12 de janeiro de 2020.





[1]              * MSc em Economia, Especialista em Gestão da Informação do Agronegócio, Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural da Amazônia, Administrador, formado pela UNAMA  E-mail: moacir-rocha@hotmail.com

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Gestão da Informação no Processo Decisório

Gestão da informação no processo decisório
                                                                                           Moacir da Cruz Rocha
É claro que a informação sozinha não possui o poder de transformar situação alguma, mas sem ela não tem como o conhecimento vir a existir.
A informação é um fator imprescindível para impulsionar o desenvolvimento da sociedade, constituindo-se em um insumo de fundamental importância de geração de conhecimento que, por sua vez, possibilitará de modo eficiente a satisfação das diversas demandas da população[1].
            Atualmente a irrupção e desenvolvimento das novas tecnologias estão conformando uma série de mudanças estruturais, a nível econômico, social, educativo, político, de relações. Pode-se afirmar que está sendo construído uma nova forma de entender a cultura. Neste contexto, a informação aparece como o elemento chave, aglutinador, estruturador deste tipo de sociedade.
Foi na década de setenta que se começa a falar da "sociedade da informação". Aparece a informação como a panaceia, o slogan "a informação é poder" veio à frente de toda uma série de mudanças que foram configurar novas pautas sociais. Já não se trata de desenvolver bens tangíveis, como se vinham desenvolvendo até agora em uma sociedade industrial. A nova concepção era a de "produzir" bens ligados à educação, a saúde, a informação, ao meio ambiente, à diversão, etc. Tais elementos configuram os grandes elementos que costuma denominar de “sociedade pós-industrial”.
Esta "sociedade da informação" vai se definir em relação a mecanismos como a produção, o tratamento e a distribuição da informação. Vai exigir de um ponto de vista técnico, a infraestrutura necessária para sua utilização em todos os âmbitos da economia e da vida social, fazendo que muitas de nossas ações se construam em torno desta.
Hoje em dia, na sociedade ocidental na qual estamos imersos a informação nos é “vendida” como um elemento acessível, que se pode possuir, que dá poder, que dá conhecimento. A informação se converteu em um culto, em um mito, algo que outorga autoridade, vantagens, superioridade, domínio. Entretanto, muitas vezes se desconsidera que a informação tenha caráter informativo, pelo simples feito de ser possuída, ou de poder ser assimilada por um sujeito. Produziu-se uma mudança no conceito da informação[2].
            A informação com as novas tecnologias se torna quase independente dos sujeitos. As pessoas são despojadas da posse, de ser a fonte e manancial da informação.
Ao mesmo tempo, a informação passou a ser um bem de consumo. Mas não só este produto entra dentro desta categoria mas também os modos de vida das pessoas dos países mais desenvolvidos se transformaram de uma maneira radical.
Assistimos ao nascimento de uma nova sociedade onde a qualidade, a gestão e a velocidade da informação se convertem em fatores chave da competitividade. Os sistemas da informação e comunicação condicionam a economia em todas suas etapas. Por tudo isso a informação, é atualmente elemento essencial da sociedade, parte estrutural de seu desenvolvimento e construção.
Diante das características que a informação tem tomado, não é de estranhar que a informação seja moldada por interesses políticos e sociais. Neste sentido – e considerando o papel que a informação desempenha na construção da sociedade, o que seria a busca por uma informação correta, tem se transformado – não raras vezes – em desinformação.
            É inegável o fato de que vivemos numa sociedade capitalista. No entanto, pouco compreendemos dos resultados que este fato traz para a produção e gestão da informação e, em particular, quanto mais para as relações humanas estabelecidas em seu contexto.
Entretanto, de acordo com Dupas[3],
a forma de organização histórica, econômica e social que divide a sociedade entre proprietários e não proprietários dos meios de produção, constitui na crítica educacional, neomarxista, a dinâmica central em torno da qual são analisados os processos de posse da informação e sua difusão dentro da sociedade.
            Os meios de comunicação, por sua vez, colaboram também para a formação de impressões pouco animadoras sobre o atual modelo socioeconômico, uma vez que, os conflitos sociais parecem estar emergindo em toda a parte. Os cidadãos são constantemente informados sobre as guerras entre as nações e sobre os altos índices da violência urbana. O que está provocando esta tendência nos relacionamentos humanos?
            Estar à margem dos fatos relevantes ao cotidiano talvez seja um dos fatores determinantes dos conflitos que atingem a população mundialmente. Regidos pelas leis do mercado, que excluem alguns segmentos da sociedade como os negros, as mulheres, os portadores de deficiência física e, sobretudo os pobres, os seres humanos sobrevivem na era contemporânea, em condições cada vez mais hostis.
            A qualidade das relações estabelecidas no âmbito das informações parece refletir a estrutura social – como seria de esperar – tornando a educação uma mercadoria a ser comercializada, com seus produtos direcionados à elite e outros, para a população mais pobre (e de qualidade inferior).
            A informação é o resultado de um determinado aspecto desta relação entre sociedade e sua história. Sabe-se que a difusão das informações socialmente construídas, na atualidade, é condição essencial para que se garanta um futuro de melhor qualidade às pessoas, particularmente dentro do mercado de trabalho[4].
            Atualmente, a demanda por informações tem sido um diferencial importante no das empresas.
Afinal, na medida em que o ambiente competitivo fica mais complexo e variado há necessidade de se reunir e harmonizar tecnologias altamente díspares entre si, administrar um processo detalhado de definição de padrões, estabelecer alianças com fornecedores de produtos complementares e ter acesso à mais ampla variedade possível de informações para tomadas de decisão.
Deve-se ter consciência de que a Gestão da Informação é uma jornada constante, e não apenas um projeto que tem começo, meio e fim. Como as variáveis de mercado mudam a todo o momento, também se modificam – e, usualmente, aperfeiçoam-se – as ameaças, vulnerabilidades em novos softwares, hardwares, aplicativos, protocolos de rede etc. Não adianta adquirir uma série de dispositivos de hardware e software sem treinar e conscientizar a empresa como um todo.

A importância dos Sistemas de Informação para as empresas

Em tempos em que as mudanças sociais se dão de maneiras cada vez mais rápidas, as organizações tradicionais, como extensões do meio social, travam uma inusitada batalha com a evolução do ambiente corporativo. O mundo corporativo está inserido no contexto social e, portanto, interage com inúmeras variáveis que compõem um cenário cada vez mais complexo[5].
Fator que contribui sobremaneira para esta diversidade de interações é a dita globalização, que vem promovendo um fenômeno que tende a nos levar à interação total dos agentes no mercado. Como consequência, as empresas locais acabam por sofrer, de maneira direta ou indireta, a interferência não só dos agentes do mercado local ou nacional, mas também de inúmeros players do mercado global. A interação total não é fato, mas sim uma tendência estabelecida, fruto da evolução social e exacerbada pela potencialização do processo de comunicação entre todos os indivíduos do planeta[6].
Caracterizada a complexidade do ambiente corporativo, podemos nos aprofundar mais pelo ambiente interno às organizações e avaliarmos como as empresas podem se proteger, ou melhor, se preparar para um futuro mutável.
            Um grande questionamento se impõe diante do administrador: "Como desenvolver, rentabilizar e perenizar uma organização sob um contexto competitivo, complexo e mutável." Muitos podem dizer que a saída é antecipar-se as mudanças, muito embora saibamos que a premonição não é um sentido comum ao ser humano. Podemos pensar, então, em nos adaptarmos às mudanças, mas já sabemos que a adaptação hoje em dia é pré-condição para meramente sobrevivermos. Se queremos atingir um nível de excelência empresarial, temos que criar nossos próprios diferenciais. Temos que nos adaptar às mudanças de forma mais rápida que os outros agentes, mas, fundamentalmente, primeiro que nossos concorrentes.
            Para fazermos uma análise sobre os meios para tornar a adaptação de uma empresa às mudanças mais rápidas, faremos uma breve incursão às escolas de administração científica, onde os pesquisadores se preocuparam em definir quais eram as funções básicas da administração, ou do administrador. Cada escola ressaltava as áreas que lhe pareciam mais importantes.
Mas, em síntese, independente de qualquer corrente de pensamento, podemos identificar pelo menos três fases dentre as funções do administrador. Uma que antecede à execução da ação, uma que coincide com a execução e outra que sucede a execução. Podemos dar rótulos para essas fases, muito embora estes sejam passíveis de questionamento, mas o mais importante é o entendimento. Assim, chamaremos estas de Planejamento, Direção e Controle[7].
            A execução das três fases sucessivamente configura no que podemos chamar de ciclo administrativo, ou seja, a sistemática realização de ações de planejamento, de direção, de controle e novamente de planejamento e assim por diante.
            Inúmeras empresas realizam planejamento, realizam direção, realizam controle, porém poucas empresas fazem de maneira sistemática e adequada o uso dos resultados apurados pelo controle como subsídios para o novo ciclo de planejamento da organização[8].
            Quanto mais longo for o ciclo administrativo, mais demoradas serão realizadas as correções necessárias nas mais distintas áreas da empresa. Portanto, as empresas que conseguem reduzir seu ciclo administrativo obtêm como resultado uma maior flexibilidade e, além de capacidade, velocidade de adaptação.
            O ciclo administrativo vincula-se ao contexto de mudanças pelo fato de que a administração prevê um processo de planejamento baseado na análise do ambiente corporativo, ou seja, na análise das variáveis internas e externas à organização.
Já o controle realiza a aferição entre os resultados programados, ou esperados, e os resultados efetivamente obtidos. Essa análise de desempenho traz consigo toda uma carga de informações que é fruto da interação das variáveis ao longo da execução das atividades[9].
            Como o planejamento se dá em um momento distinto do tempo daquele em que o controle e o seu feedback para o novo ciclo, a execução acaba realizando-se em condições, ou cenários, diversos daqueles inicialmente previstos. Isto faz com que o previsto seja diferente do realizado, pois se dominássemos o cenário futuro, nosso erro de previsão seria nulo ou muito reduzido.
Assim, quanto menor o tempo entre o início do ciclo e sua retroalimentação, menores serão as surpresas e melhor e de maneira mais rápida se dará a adaptação ao nono contexto.
            A ligação entre o controle e o planejamento é a função primordial da controladoria. O meio através do qual se instrumentaliza este processo é o Sistema de Informações Gerenciais.
O Sistema de Informações de uma organização deve monitorar seus sinais vitais, estruturar um banco de dados capaz de gerar informações relevantes para a orientação e suporte da direção no processo de tomada de decisões.
Uma maneira objetiva e eficaz de organizar um sistema de informações é através da estruturação de um Sistema de Indicadores de Performance, a partir do qual deverá ser possível compreender e interagir com o contexto presente da organização e ainda ser capaz de estimar o cenário futuro, através da determinação de tendências. Sua área de abrangência passa por todas as questões fundamentais de uma organização, como acompanhamento de fatores como qualidade, produtividade, rentabilidade, liquidez, alavancagem, estrutura de capital, entres outros[10].
Um bom modelo de Indicador de Performance deve compreender os seguintes pontos[11]:
▪ Medição: onde é apresentado o dado da(s) última(s) aferição;
▪ Padrão: componente que representa o patamar histórico do indicador;
▪ Referência: dado referencial para comparação com outra organização;
▪ Meta: aponta o desafio proposto pelo planejamento estratégico;
▪ Interpretação: forma de leitura do indicador;
▪ Análise: traz um parecer técnico do controller sobre o desempenho.
Com isso, uma organização pode efetivamente estabelecer a ligação entre controle e planejamento e, na medida em que consegue encurtar seu ciclo administrativo, ganhar flexibilidade.
Uma questão importante surge dentro deste contexto, visto que ressaltamos o aspecto extremamente racional da administração, mas como fica o aspecto intuitivo? Terá ele validade como forma de gestão no mundo corporativo? A resposta é sim, muito embora a questão se dá em termos de proporcionalidade.
Quando se administra uma empresa, estamos administrando Risco (gerência de risco). Onde queremos de maneira ideal obter o maior retorno possível de determinado investimento estando dispostos a correr o menor risco possível.
Toda vez que falamos em Risco, ou risco futuro, estamos tratando de um componente chamado Incerteza. Usando o chavão de que "o futuro é incerto por natureza", vemos que o grande desafio do administrador é reduzir o nível de incerta da organização, mantendo ou maximizando a sua rentabilidade[12].
A maneira que temos de reduzir a incerteza é nos cercando de INFORMAÇÕES que possam nos referenciar toda vez que tratamos de algo que será executado no futuro. Como obtemos isto? Através de um excelente sistema de informações gerenciais.
Quanto mais dominarmos as varáveis que compõe o nosso cenário passado e atual, mais condições teremos de reduzir (dificilmente eliminar) o erro, que se traduz no impacto causado pelas mudanças não previstas.
Assim, o modelo de gestão Intuitivo tem seu lugar preservado, mas deve se resguardar ao nível em que não dispomos de informações técnicas confiáveis para a tomada de decisão[13].
Por fim, podemos concluir que o sucesso de uma organização depende do seu fluxo de informações, considerando a sua agilidade, credibilidade e confiabilidade. Pois, do fluxo de informações depende o grau de flexibilidade da organização; o grau de flexibilidade determina a adaptação às mudanças e esta condição por si deve garantir a empresa o sucesso potencial.






Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural da Amazônia, administrador formado pela Universidade da Amazônia, Especialista em Gestão da Informação no Agronegócio (UFJF), Mestre em Economia (UNAMA). E-mail: moaroc@gmail.com

[1] CAMPOS FILHOS, Maurício Prates. "Conceituação de Sistemas de Informação do Ponto de Vista do Gerenciamento", Revista de Informática, Instituto de Informática da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Março / Setembro 2004
[2] CORDENOSI, Jorge Luís. "Planejamento Estratégico de Sistemas de Informação Utilizando a Reengenharia de Processos", Revista de Informática, Instituto de Informática da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Janeiro/Junho 2005
[3] DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação. SP: Unesp, 2001.
[4] ALMEIDA, Luís Miguel Alçada Tomás de, Sistemas de informação nas organizações, Coimbra, FEUC, 2006.
[5] LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane Price. Sistemas de informação. LTC: Rio de Janeiro,2009.
[6] OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Sistemas de informação gerenciais: estratégias, táticas, operacionais. 8. ed., São Paulo: Atlas,2002.
[7] OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Sistemas de informação gerenciais: estratégias, táticas, operacionais. 8. ed., São Paulo: Atlas,2002.
[8] BATISTA, Emerson de Oliveira. Sistema de Informação: o uso consciente da tecnologia para o gerenciamento. São Paulo: Saraiva, 2004.
[9] BATISTA, Emerson de Oliveira. Sistema de Informação: o uso consciente da tecnologia para o gerenciamento. São Paulo: Saraiva, 2004.
[10] PEREIRA, Maria José Lara de Bretãs; FONSECA, João Gabriel Marques. Faces da Decisão: as mudanças de paradigmas e o poder da decisão. São Paulo: Makron Books, 2007.
[11] OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Sistemas de informação gerenciais: estratégias, táticas, operacionais. 8. ed., São Paulo: Atlas,2002.
[12] LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane Price. Sistemas de informação. LTC: Rio de Janeiro,2009.
[13] PEREIRA, Maria José Lara de Bretãs; FONSECA, João Gabriel Marques. Faces da Decisão: as mudanças de paradigmas e o poder da decisão. São Paulo: Makron Books, 2007.

sábado, 28 de dezembro de 2013

As Informações no contexto histórico da humanidade

                                                             Moacir da Cruz Rocha
As invenções e descobertas feitas pelo homem são caracterizadas pela apreensão em facilitar a sua vida. Quando se refere à produção, a preocupação é no sentido de diminuir os esforços necessários para a produção de bens para seu próprio consumo, objetivando melhorar o desempenho e aumentar a produtividade, sem desprezar a eficiência e qualidade dos produtos.
Em relação à comunicação, registra-se o Alfabeto, como importante invento dos Gregos por volta do ano 700 antes de Cristo, fato fundamental para a construção do conhecimento e, em particular, para a compreensão e discernimento da Filosofia e das Ciências. A escrita provocou incomparável transformação na forma de comunicação dos homens, apoiada pela invenção do papel pelos chineses, e mais tarde impulsionada pela invenção da imprensa.
Desde os tempos primitivos o homem preocupa-se com a ampliação de sua capacidade de trabalho mental (...). Assim, o desenvolvimento da atividade humana exigiu sempre que o homem criasse dispositivos de registro e processamento da informação, como forma de interferir no, adaptar-se ao, e controlar o meio em que vive (YOSSEF, 1995, p.10-11).

Por sua vez, Barreto (1995) acrescenta que o fluxo de informação e sua distribuição ampliada e eqüitativa tem sido um sonho dos homens desde remotas épocas. Desde a escrita o homem vem provocando proezas tecnológicas que geram mudanças em sua visão e relação com o mundo da informação.
As redes de saber podem ser consideradas finita ou infinita, já que cada um de seus pontos de formação pode ser ligado ou religado a qualquer outro, o seu procedimento de conexão é um contínuo processo de correção das conexões. A rede do saber seria sempre ilimitada, pois a sua estrutura é consecutivamente diferente da estrutura que era um momento antes e a cada vez se pode percorrer o caminho de acordo com trilhas diferentes. A distribuição do conhecimento dita, ‘em rede’, é algo observado desde o século XVII passando por antigas instituições e grupos de estudiosos.
Mas na idade média, que consideramos aqui como o período entre o fim do Império Romano e o nascimento da civilização da Grécia e Roma, algo entre os anos 900 e 1300 a informação era privilegio dos eruditos e estava retida pelos muros dos mosteiros cuidada e vigiada pelos monges (BARRETO, 1995, p. 3).

O livre fluxo de informação e sua distribuição eqüitativa tem sido um sonho de diversos homens em diferentes épocas. A rede de saber universal foi uma preocupação observada desde a Academia de Lince, a primeira sociedade Científica da Europa, criada em 1603, na Itália, por Frederico Cesi. Galileu Galileu foi um dos seus mais relevantes membros, nela ingressando em 1611.
A Royal Society, fundada em Londres em 28 de novembro de 1660, foi reconhecida oficialmente em 1662. A Academia de Ciências de Paris foi criada em 1666; a de Berlim é de 1700 (BARRETO, 1995).
A procura pela adequada distribuição do conhecimento produzido pela humanidade vem desde o século XVII passando por antigas instituições e grupos europeus e americanos do norte, como a construção da Enciclopédia de Diderot e D’Alembert, por exemplo. Ainda na Itália tem-se a Accademia del Cimento, em Florença criada em 1651, essa se destacou por semear os primeiros observatórios meteorológicos do mundo por diversos países da Europa, equipados com os instrumentos inventados por Galileu, o cientista dos séculos XVI e XVII.
A criação das academias de Londres (em 1665), de Paris (em 1666) e de Berlim (em 1700) ocorreu quando essas cidades começaram a destacar-se pela criação de conhecimento científico, substituindo lentamente em relevância científica as italianas, que em meados do século XIX começavam a decair.
A meta das primeiras academias era o de possibilitar a qualquer pessoa do povo saber o que era ciência e como eram feitas as descobertas científicas, já que em suas reuniões se praticava geralmente a realização de experimentos para que os leigos as vissem (BARRETO, 1995, p. 4).

As redes de distribuição de saber, começando com as enciclopédias, procuram pela organização do conhecimento, mesmo considerando, que na enciclopédia a codificação do saber se dá em uma língua modelo e com conteúdos em universos particulares de linguagem. De uma representação enciclopédica nunca se extrai uma revelação definitiva do conhecimento ou sua exibição global.
Importante acrescentar que as inovações tecnológicas são fatores de transformação da humanidade, agindo diretamente sobre o destino dos homens. A história mais recente registra a 2ª Revolução Industrial no século XIX, que aliada às fontes geradoras de energia como petróleo, eletricidade, são exemplos de transformações ocorridas, que provocaram grande impacto na vida das populações do mundo, na medida em que permitiu aumentar a velocidade da produção, reduzindo as distâncias em virtude da melhoria dos meios de transporte, e da invenção do telefone, permitindo a comunicação à distância.
O uso da eletricidade contribuiu, entre outras coisas, tais como, a introdução da imprensa rotativa aumentando a velocidade de impressão, além de permitir a automação de outras tarefas feitas manualmente como dobras e encadernação. Contribuiu também para a sistematização do processamento de dados pelo pioneiro Herman Hollerith, através do aperfeiçoamento de máquinas eletromecânicas leitoras de cartão perfurados, usadas para tabular informações, e que passaram a ter grande utilização nas atividades comerciais e bancárias. Mais recentemente, em meados do século XX passou-se a presenciar a extraordinária revolução provocada pela Informática (YOSSEF, 1995).
Barreto (1995) acredita que a área de ciência da informação se renova ao sabor das inovações na tecnologia sendo preferível ocupar-se com a sua historiografia que com sua epistemologia. Dessa maneira, contar a história de como se atuava no passado é didático e essencial para o entendimento da evolução das práticas da área e para a formação dos seus profissionais.
A Tecnologia da Informação (TI) tem importante marco em 1946 quando é desenvolvido o primeiro computador eletrônico (ENIAC[1]), com objetivo de elaborar cálculos de grande complexidade, modesto se for considerada as proporções alcançadas na atualidade.
 Do primeiro computador em meados do século XX até o inicio do século XXI, se observa uma rápida evolução destes equipamentos, e, principalmente, se for considerada a capacidade de integração com os meios de comunicação, permitindo que os dados processados em grande velocidade, pudessem ser transmitidos através das redes de comunicação, fazendo com que qualquer informação seja conhecida em qualquer parte do mundo praticamente no mesmo instante em que é gerada.
O domínio das tecnologias e a utilização delas por grandes corporações impulsionaram a globalização econômica, proporcionando a integração instantânea dos mercados, facilitando a comunicação entre unidades de uma mesma corporação multinacional, aproximando suas unidades produtivas da unidade administrativa independente de suas localizações físicas, aumentando consideravelmente a velocidade das transações comerciais, e consequentemente aumentando lucros, reduzindo custos e emprego de mão-de-obra.
Neste contexto, um dos principais instrumentos é a rede mundial de computadores, a Internet[2], mais claro exemplo de integração de tecnologias de informação e comunicação, reunindo os recursos de transmissão de dados, voz e imagem. Outras tecnologias de informação e comunicação vinham sendo utilizadas, como o rádio, telefone, televisão, além da mídia impressa, que permanecem constituindo importantes meios de comunicação e permitindo que a informação chegue até as pessoas para que as mesmas possam formar sua própria opinião, além de adquirir novos conhecimentos. Portanto, estar à margem do conhecimento e domínio das tecnologias de informação é o mesmo que estar a margem do mundo atual e sofrer as desigualdades social, econômica e política.
De acordo com entendimento de Yossef (1995), se por um lado o domínio das tecnologias de informação contribuem para o desenvolvimento e bem estar das pessoas produzindo riquezas e proporcionando melhor qualidade de vida, do lado das populações mais pobres, que não conseguem atingir as condições mínimas necessárias para utilização destes recursos, seja por falta de conhecimento ou qualquer outro motivo, veem-se mais acentuadas ainda as desigualdades e a falta de oportunidades, fazendo com que os mais pobres fiquem cada vez mais dependentes.
 Entretanto, para aqueles para quem as oportunidades não faltam, assistir televisão, falar ao telefone, movimentar a conta no terminal bancário, verificar multas de trânsito, comprar produtos, trocar mensagens com qualquer lugar do mundo, estudar, pesquisar, são algumas das atividades cotidianas, em todo o planeta, e também no Brasil. Rapidamente, as pessoas se adaptam a essas novidades e passam, normalmente sem um entendimento mais profundo e sem grandes questionamentos, a viver numa nova sociedade, a da Informação (WILHELM, 2002).
A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede, que é caracterizada pela globalização das atividades econômicas decisivas do ponto de vista estratégico; por sua forma de organização em redes; pela flexibilidade de instabilidade do emprego e a individualização da mão-de-obra; por uma cultura de virtualidade real construída a partir de um sistema de mídia onipresente, interligado e diversificado e também pela transformação das bases materiais da vida - o tempo e o espaço - mediante a criação de um espaço de fluxos e de uma referência intemporal como expressões das atividades.
Essa nova forma de organização social, dentro de sua globalidade, que penetra em todos os níveis da sociedade, está sendo difundida em todo o mundo, do mesmo modo que o capitalismo industrial. Admirável ou não, trata-se na verdade de um mundo novo (CASTELLS, 1999 p. 17).
De acordo com Wiener (apud KUMAR 1997, p.19), a informação é um requisito para a sobrevivência no meio social. É através dela que se estabelece o intercâmbio entre o homem e o ambiente no qual está inserido. A comunicação e o controle, portanto, na medida em que fazem parte da vida em sociedade, são parte integrante da essência da vida interior do homem.
Para Barreto 91995), o ideal compartilhado seria o de se construir uma sociedade do conhecimento não apenas uma sociedade da informação. É um erro confundir a sociedade da informação com a sociedade do conhecimento. A sociedade da informação é uma utopia de realização tecnológica e a do conhecimento uma esperança de realização do saber.
A Sociedade do conhecimento contribui para que o indivíduo se realize na sua realidade vivencial, essa compreende configurações éticas e culturais e dimensões políticas. A sociedade da informação, por outro lado, está limitada a um avanço de novas técnicas devotadas para guardar, recuperar e transferir a informação.
A sociedade da informação, em nenhum momento pretendeu ser a única responsável pelo conhecimento originado na sociedade. A sociedade da informação, de igual maneira, agrega as redes de informação, que são conformações com vigor dinâmico para uma ação de geração de conhecimento.
Por outro lado, salienta Barreto (1995), a velocidade e modalidade de acesso à informação modificam a sensibilidade e competência cognitiva do ser humano. A convergência da narrativa para uma base digital inseriu imagem e som na estrutura de informação.
O limite da tecnologia se dará consecutivamente, quando a inovação criada pela tecnologia, deixar de trabalhar em benefício do indivíduo e se voltar contra ele para lhe causar problemas. As novas tecnologias de informação de tão intensas produzem medo, porque aumentam, de forma considerável, os poderes do homem. Algumas vezes o transformam em objeto destes poderes. O mundo digital, por exemplo, cria facilidades para as atividades cotidianas, as atividades de pesquisa e de ensino, mas cria, também, monstros que assombram a segurança e a privacidade.
Na atualidade, muito se tem pensado neste novo tempo cibernético sobre a questão referente ao valor da tecnologia da informação quando ponderado contra a possibilidade de uma existência mais simples e com mais felicidade. Qual é o papel da informação em formato eletrônico no grande dilema da existência do ser humano atual. Quanto da informação se orienta para formar uma inteligência coletiva e quanto para uma inteligência de competição e de provocação de consumo em favor do mercado. Questiona-se se essas transformações se associam a felicidade do ser humano na simplicidade dos seus espaços de convivência.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARRETO, Aldo de Albuquerque. Uma quase história da ciência da informação. DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.9 n.2 abr/08.
CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. v.ll. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
KUMAR, krishan. Da sociedade pós-industrial à pós-moderna: novas teorias sobre o mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
WILHELM, Anthony. A Internet e a participação política nos Estados Unidos. In EISEMBERG, José; CEPIK, Marco. Internet e política: teoria e prática da democracia eletrônica. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.
YOSSEF, Antonio Nicolau; FERNANDES, Vicente Paz. Informática e Sociedade. São Paulo: Ática, 1995.





[1] Computador e Integrador Numérico Eletrônico
[2]INTERNET - Rede de computadores por meio da qual qualquer comunidade pode se comunicar e trocar informações. O vocábulo inter vem da palavra interligada e o net de network, malha de comunicação que começou a ser definida em 1958 e chamava-se ARPANET. Foi criada por uma instituição militar americana (Pentágono) associada a cientistas, com a finalidade de proteger os EUA da ameaça comunista (WILHELM, 2002).